O Papel dos Macrófagos na Migração e Metástase do Câncer
- Projeto Sementes do Bem
- 15 de nov. de 2024
- 4 min de leitura

A metástase é um dos processos mais desafiadores e complexos no tratamento do câncer. Este fenômeno envolve a disseminação de células tumorais de seu local original para outros tecidos e órgãos, dificultando o controle da doença e comprometendo o prognóstico dos pacientes. Um dos elementos-chave no processo de metástase é o papel dos macrófagos associados ao tumor (TAMs), células do sistema imunológico que interagem de maneira profunda com o microambiente tumoral e contribuem para a progressão do câncer.
Quem são os Macrófagos Associados ao Tumor (TAMs)?
Os macrófagos são células do sistema imunológico que desempenham uma função importante na defesa do corpo contra infecções e na remoção de células mortas e danificadas. No contexto tumoral, os macrófagos presentes no microambiente do câncer são denominados macrófagos associados ao tumor (TAMs) e, embora tenham uma função essencial no organismo, eles podem atuar como aliados das células tumorais.
Os TAMs podem ser polarizados em diferentes subtipos, sendo os mais importantes para o câncer os macrófagos M1 e M2. Os macrófagos M1 têm uma função pró-inflamatória, atacando células cancerígenas, enquanto os macrófagos M2 apresentam características anti-inflamatórias e são recrutados pelo tumor para promover seu crescimento e dispersão. Assim, os TAMs polarizados para o perfil M2 facilitam a progressão tumoral ao apoiar processos como a transição epitélio-mesenquimal (EMT), a remodelação da matriz extracelular (ECM), a quimiotaxia e a intravasão das células tumorais nos vasos sanguíneos.
Como os Macrófagos Auxiliam na Metástase?
O processo de metástase envolve uma série de etapas nas quais os TAMs desempenham papéis fundamentais. Vamos entender cada um desses passos e como os TAMs contribuem para a migração e invasão das células cancerígenas.
Promoção da Transição Epitélio-Mesenquimal (EMT):
A EMT é um processo onde as células cancerígenas perdem suas características epiteliais (como adesão e estrutura organizada) e ganham características mesenquimais, que as tornam mais móveis e invasivas. Os TAMs, principalmente os do tipo M2, liberam fatores de crescimento e citocinas, como TGF-β e IL-10, que ativam a EMT nas células tumorais. Esse processo transforma as células do câncer em estruturas mais adaptadas para migrar e invadir outros tecidos, aumentando o potencial metastático.
Remodelação da Matriz Extracelular (ECM):
A ECM é uma rede de proteínas e moléculas que sustenta os tecidos do corpo, funcionando como uma barreira natural contra a migração tumoral. No entanto, os TAMs produzem enzimas que degradam a ECM, como metaloproteinases de matriz (MMPs) e a lisil oxidase, o que facilita a criação de “caminhos” pelos quais as células tumorais podem migrar. Além disso, ao alterar a rigidez da matriz extracelular, os TAMs tornam o ambiente mais favorável à invasão celular.
Quimiotaxia e Formação de Invadopódios:
Os TAMs liberam moléculas sinalizadoras, chamadas fatores quimiotáticos, que atraem as células tumorais em direção aos vasos sanguíneos, promovendo a intravasão – a entrada das células cancerígenas na corrente sanguínea. Essa interação é crucial para que as células cancerígenas deixem o tumor primário e se estabeleçam em locais distantes.
Além disso, os TAMs estimulam a formação de invadopódios, que são projeções celulares ricas em F-actina nas células tumorais. Os invadopódios agem como pontas de lança, degradando ativamente a ECM e permitindo a passagem das células do câncer pelo tecido adjacente.
Impacto da Quimioterapia e Influências Externas:
A quimioterapia visa eliminar as células cancerígenas, mas os TAMs podem contribuir para a resistência ao tratamento e para a promoção da metástase após a terapia. Após a quimioterapia, alguns TAMs são reativados e liberam fatores de crescimento que promovem a regeneração tumoral e a adaptação do câncer ao tratamento. Fatores externos, como dieta, obesidade e até mesmo predisposições genéticas, também podem influenciar a atividade dos TAMs, aumentando a agressividade do tumor.
Implicações Terapêuticas: Como Controlar a Atividade dos TAMs?
Dado o papel dos TAMs na metástase, a manipulação dessas células tem se mostrado uma abordagem promissora no tratamento do câncer. Existem várias estratégias em desenvolvimento para reduzir o impacto dos TAMs na progressão tumoral:
Reprogramação dos TAMs: Transformar os macrófagos M2 pró-tumorais em macrófagos M1 anti-tumorais é uma das estratégias exploradas para diminuir o suporte ao câncer e aumentar a atividade imunológica contra as células tumorais.
Inibição das Enzimas Degradantes da ECM: O bloqueio de enzimas, como as MMPs, limita a degradação da ECM, restringindo a capacidade das células cancerígenas de se moverem pelo tecido.
Alvos Moleculares em Terapias Combinadas: Fármacos que inibem a sinalização quimiotática e o recrutamento de TAMs são investigados como coadjuvantes na quimioterapia, buscando reduzir a resistência ao tratamento e o risco de metástase pós-terapia.
Conclusão
Os macrófagos associados ao tumor desempenham um papel essencial na facilitação da metástase, agindo como facilitadores da migração, invasão e resistência tumoral. Compreender o funcionamento dos TAMs no microambiente tumoral abre portas para novas abordagens terapêuticas que vão além da eliminação das células cancerígenas, focando na modulação do próprio ambiente que sustenta o tumor. Com isso, estratégias que visem reprogramar ou inibir a ação dos TAMs representam uma nova fronteira no tratamento oncológico, com o potencial de reduzir a disseminação do câncer e melhorar a resposta aos tratamentos convencionais.
Lembre-se, sempre consulte um profissional de saúde especializado para orientações personalizadas. Com a natureza como aliada, estamos trilhando um caminho rumo ao bem-estar e ao restabelecimento da saúde! 🌱✨
Gostou deste artigo? Compartilhe com seus amigos e continue acompanhando nossos conteúdos! Fique atento ao nosso site, às nossas redes sociais!
Abraços e Beijos no coração!
Referências:
FRIEDMAN-DELUCA, Madeline et al. Macrophages in tumor cell migration and metastasis. Frontiers in Immunology, v. 15, p. 1494462, 2024.